Com-que-tel?

07Jun07

O coquetel de lançamento do Blog Que Eu Achei No Lixo foi um estrondoso sucesso. Segundo cálculos da Polícia Militar, mais de quatro pessoas brindaram à meia noite de domingo retrasado, desejando feliz natal e próspero ano novo a qualquer um que passasse na calçada.

A cerveja foi fabricada na hora, com água especial e lúpulo comprado na feira. Um dos mais lindos momentos foi registrado pelas lentes de Sebastião Salgado:

Momentos de camaradagem excessiva, a níveis emo, foram vislumbrados por qualquer um que passasse por ali. Algumas pessoas foram contaminadas pela alegria e entraram de biconas na festa, mesmo não estando totalmente a rigor, como exigia o convite do coquetel.

Algumas pessoas foram flagradas tentando ler certidões de nascimento em voz alta, mas foram devidamente repreendidos por um batalhão de choque qualquer. Em alguns países do leste europeu, essa é uma prática comum em coquetéis, além de remunerável.

Por fim, a mais grata surpresa. Vida longa ao Blog!


Parece que havia um grande filme estreando no cinema, e todos meus amigos iriam ver naquela noite. Antes de sair de casa, porém, vejo na TV um avião sem asas caindo e espatifando-se bem em cima do meu bairro. Decidido a ir ao cinema mesmo assim, saio de casa e fico no aguardo por alguma coisa importante em cima da marquise de um prédio. Então vejo, ao vivo, outro avião sem asas cair no chão a poucas quadras de mim. Acontece então que o grande jato começa a “empurrar” as quadras como se fosse móveis da sala e a me perseguir. Estou num jogo de videogame, onde tenho que escapar do avião insano, saltar telhados de sapé, para finalmente encontrar minha mãe e meus amigos no cinema. Havia uma forte moral nisso tudo, mas eu nem me preocupei em anotar naquela hora.

Acordei.


Enquanto chovia torrencialmente na cidade inteira, eu estava dentro de um banheiro minúsculo, em frente à praça da igreja do meu bairro. Vendado, eu tentava urinar com certo insucesso enquanto observava o mecanismo da descarga construído de maneira rústica pelo meu pai algum tempo antes. Ao mesmo tempo, um colega da faculdade discutia com outro não tão colega assim, mas também da faculdade, sobre as possibilidades de que este lhe ensinasse a nadar contra a correnteza fortíssima que havia se formado na rua de cima de minha casa. Sim, por causa da chuva.

Acordei.


Acho tudo caro

11Abr07

Ovo de páscoa tá caro, refrigerante tá caro, cerveja tá caro, ônibus tá caro, viajar tá caro, entrar no bar tá caro, tênis tá caro, cd tá caro, quadrinhos tá caro, todos os livros tão caros, até os sebos tão caros, sucrilhos tá caro, espuma de barbear tá caro, camiseta tá caro, pasta de dente tá caro, ligações interurbanas tão caras.

Só esse blog que eu ganhei de graça.


Supondo que para todo costume instaurado na sociedade, daqueles considerados bons, tenha havido uma intensa campanha por parte dos poderes interessados para que tal prática aconteça de fato e se transforme em um pilar de sustentação sem a qual não conseguiríamos viver em comunidade.

Daqui a alguns anos, então, talvez não se jogue mais lixo na rua ou em lugares inapropriados. Nesse aspecto, o do lixo, estamos no estágio das campanhas ainda – seja na forma de propaganda, leis ou ONGs. Pensemos então nas coisas normais de nossas vidas. Será que houve um tempo que tais coisas não eram normais simplesmente por não existir o costume?

Durante minhas 16 horas diárias de ócio, pensei em algumas coisas, comportamentos e situações que podem ter sido alvo de campanhas bem-sucedidas em algum ponto do passado.

Locais apropriados para se urinar e defecar: A humanidade passou boa parte de sua existência não precisando se preocupar em achar um lugar próprio para satisfazer suas necessidades fisiológicas. A idéia corrente, desde muitos milhares de anos AC, era a de que se tratava de adubo – e bom adubo. Com o advento da privada, as coisas mudaram e esse tipo de prática começou a sofrer revezes. A campanha “FAÇA – Mas faça na privada” foi um sucesso e as únicas exceções hoje são as situações emergenciais.

Agressão com tijolos e similares: Até a invenção da pólvora não havia espécie de arma mais violenta e eficaz quanto um tijolo bem arremessado. O homem do passado viu então a necessidade de uma proteção latente contra esse tipo de investida, que era muito difícil de se prevenir e impossível de se medicar. Foi então adotada uma medida dupla: a campanha “Preserve a vida, não jogue tijolos” e a adoção de escudos altos e largos, feitos de fibra de carbono reforçado.

Nudismo total e incondicional: O homem do neolítico era um idealizador nato de campanhas dessa natureza e soube implantar um costume permanente em uma sociedade em que a comunicação apenas engatinhava. Milhões de anos depois, vemos o resultado da mais bem sucedida campanha pelos bons costumes da história.

Atear fogo em coisas: O homem contemporâneo ainda não abandonou o péssimo costume de incendiar as coisas. Há de se reconhecer, porém, que antigamente o fogo era um instrumento muito mais utilizado que hoje. Na época, a incineração de pessoas e casas não era considerada um crime e tais eventos eram parte do dia-a-dia das pessoas. Tudo mudou, claro, mas esse período de trevas ameaçou um retorno quando da invenção do coquetel molotov. Aguardemos.

Mais? Sempre aberto a sugestões.


Essa onda de popularização da internet deu origem a um monte de maneirismos, crendices e soluções práticas para problemas que não parecem (e não são) fáceis de se compreender. Todo mundo que usa webmail ou orkut sabe que não se pode confiar nesses editores de texto embutidos nas páginas. Você lá, escrevendo aquele email importante e cheio de formatações, ou aquele scrap gigante contando alguma história e pá – vem a porra do ERRO 404 ou o igualmente odiado “Bad, Bad Server”.

Tudo isso também vale pra esse editorzinho de texto onde eu escrevo este humilde post. Mais de uma vez o Blogger já me deixou na mão sem o post e sem sequer um rascunho do que eu havia escrito. É um teste para a paciência das pessoas. Se você passar por isso e não ganhar nenhuma seqüela, considere-se apto para enfrentar uma eventual nova fase da humanidade. Talvez um novo “modo de produção”.

Como mencionado no primeiro parágrafo, as pessoas bolam saídas para contornar esses problemas corriqueiros da vida moderna. O método mais famoso é o CTRL + C , aplicado ao seu querido texto para que numa eventual hecatombe dos servidores ele permaneça intacto na memória de seu… hum… CTRL + C. Depois é só usar seu primo de segundo grau, o CTRL + V.

Se alguém interromper seu processo de redação com o MSN, como acaba de me acontecer, não se desespere. Talvez o servidor não dê aquele outro erro assombroso, o TIME OUT. Lendas, lendas.

Me comprometo então, para fins de pesquisa, somente usar este editorzinho de texto aqui do Blogger. Nada de Notepad. É deprimente. Todos os erros que eu por acaso encontrar pelo caminho, relatarei aqui mesmo.


Hello world!

05Jan07

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